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Uma viagem ao criativo mundo de Hermès

Por Alice Duarte, de Curitiba

Nesse imenso balaio chamado internet, onde ninguém mais sabe o que fazer para chamar e prender a atenção do internauta – já tão saturado de estímulos visuais –, uma empresa francesa de artigos de luxo quebra paradigmas na hora de conquistar o consumidor.

A Hermès Paris tem um site corporativo chamado “Voyages dans l’univers d’Hermès ou na tradução, Viagem ao mundo de Hermès  –, que é um brinde para os sentidos. Neste ambiente virtual tudo é vanguarda, desde o layout do site, as lúdicas apresentações multimídia dos produtos, até a maneira como eles reforçam a marca e a identidade da empresa.


A empresa nasceu
em1837 produzindo arreios para cavalos. Ao longo do tempo passou a produzir diversos artigos de luxo, como perfumes, roupas, gravatas,lençosecachecóis em seda, além dos famosos produtos em couro, pelos quais a marca é especialmente conhecida. A imagem do cavalo, presente desde a sua fundação, está sempre em destaque (na logomarca da empresa há um cavalheiro, um cavalo e sua carruagem). Um exemplo pode ser visto na seção “Surprises” (no menu à esquerda da página), com o link “Je suis un cheval” – na tradução, Eu sou um cavalo –, onde são exibidos vários vídeos de pessoas imitando o animal, com sons, expressões corporais, posturas e cavalgadas.

Além de bizarrices como esta, é possível aprender desde como preparar panquecas com xarope de maçã e frutas vermelhas, até tocar uma sinfonia com sons de ferramentas. Outra experiência interativa interessante envolvendo sons e música está no link “Millésime dancing”, onde o internauta pode brincar de ser DJ. Tudo isso, claro, feito para vender caixinhas de arquivo vintage.

A empresa não é referência somente quando o assunto é moda. Para os amantes do design e da publicidade, vale à pena dedicar alguns minutos para explorar e se inspirar no criativo mundo de Hermès.

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arteBA 2011: vitrine da arte contemporânea latino-americana

Por Alice Duarte, de Buenos Aires

A arteBA, uma das mais emblemáticas feiras de arte contemporânea da América Latina, realizada em Buenos Aires, encerrou nesta semana a sua 20º edição com um número estimado de 120 mil visitantes. O evento, que aconteceu entre 19 e 23 de maio, trouxe obras de artistas consagrados e emergentes, representados por 100 galerias, a maioria delas da Argentina. Um dia antes da abertura oficial, no pavilhão da La Rural, a exposição foi aberta somente para convidados, e eu estive lá vendo tudo em primeira mão, junto ao público especializado – curadores, artistas, galeristas, críticos de arte, diretores de museus, colecionadores e investidores.

Diferente de outros formatos de mostra com curadoria, a arteBA foi concebida para estimular o mercado de arte e por isso tem caráter mais comercial. Apesar de a organização incentivar as galerias a exporem obras com características de museu, os trabalhos apresentados tinham mais a característica de objeto. “Para mim ficou claro um grande predomínio de pinturas, um número menor de esculturas e poucos trabalhos que exploram o espectro mais experimental da arte”, observa o artista plástico Juan Parada, que visitou a feira junto com um grupo de artistas de Curitiba.

Ainda assim, a arteBA conseguiu, mesmo que pontualmente, inserir algumas obras conceituais e trabalhos experimentais, como o projeto do artista plástico Javacheff Christo, que ficou mundialmente famoso por embrulhar espaços públicos e grandes obras de arquitetura para estimular o espectador a olhar esses objetos de maneira diferente. Na arteBA, uma galeria estava vendendo seu projeto, que propõe embrulhar os caminhos do St Stephen’s Green, famoso parque da capital irlandesa. Também neste rol de obras conceituais se destacou a escultura “Calamidad Cósmica”, da portenha Luciana Rondolini. A obra era um enorme picolé de frutas desembrulhado, como aqueles que caem no chão e derretem sem ter sido provado. A obra foi uma das vencedoras do Prêmio arteBA Petrobras de Artes Visuais.

“Calamidad Cósmica”, da artista porteña Luciana Rondolini

Esta edição da feira destacou dois espaços que contaram com uma equipe de seleção própria: o U-Turn Project Rooms, com a presença de 18 artistas de 11 galerias (da Alemanha, Brasil, México Colômbia e Argentina), e o Barrio Joven Chandon, que reuniu novas galerias de Buenos Aires para destacar trabalhos de jovens artistas locais.

Este ano o evento adquiriu uma característica mais internacional, graças à participação de galerias do Brasil, Colômbia, Costa Rica, Chile, Espanha, Estados Unidos, Holanda, México, Peru, Porto Rico e Uruguai. O Brasil foi representado por nove galerias, incluindo as paulistas Vermelho, Baró e Oscar Cruz. “Muito interessante visitar a arteBA para poder perceber um recorte do contexto latino-americano das artes plásticas contemporânea. Presenciei uma grande participação de países de língua hispânica e de forma mais tímida a participação do Brasil. Mas de uma maneira geral notei um bom nível de discussão conceitual nos trabalhos apresentados”, avalia Parada.

A feira não deixa de ser uma vitrine da produção artística atual. Entre pinturas, esculturas, performances, instalações e fotografias, foi possível ver uma grande diversidade estilística. A exploração de cores, formas, o diálogo com os materiais, o interesse pela relação entre a luz e a superfície, os jogos de perspectivas e a crítica presente nos trabalhos despertam a reflexão e a sensibilidade. E é essa experiência estética que estimula o diálogo com outras áreas, como moda, arquitetura e claro, o design.

Alice Duarte é jornalista e assessora de imprensa da Asa Design

Mais informações: www.arteba.org

 

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